Como a dinâmica familiar pode ter um impacto profundo no comportamento alimentar

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À medida que as férias se aproximam, muitas famílias reúnem-se à volta da mesa de jantar e partilham refeições e memórias. Mas e se a forma como comemos nessas reuniões for informada por mais do que apenas tradição? A investigação psicológica mostra que a nossa família e a nossa educação têm uma enorme influência na forma como comemos...

Como a dinâmica familiar pode ter um impacto profundo no comportamento alimentar

À medida que as férias se aproximam, muitas famílias reúnem-se à volta da mesa de jantar e partilham refeições e memórias. Mas e se a forma como comemos nessas reuniões for informada por mais do que apenas tradição?

A investigação psicológica mostra que a nossa família e a nossa educação têm uma enorme influência na forma como comemos e como lidamos com os alimentos. Na verdade, essas influências são tão profundas que algumas pessoas evitam visitar a família nas celebrações.

Num estudo aprofundado da psicologia da alimentação, Jane Ogden, professora de psicologia da saúde, examina o profundo impacto da dinâmica familiar no comportamento alimentar e oferece conselhos práticos para promover relações mais saudáveis ​​com os alimentos e entre si.

Em seu novo livroComo comer bem em qualquer idadeO professor Ogden enfatiza como a família em que você cresceu pode moldar sua abordagem em relação à alimentação para o resto da vida. Os pais, em particular, desempenham um papel crucial ao ensinar às crianças o que, quando e como comer.

Crianças de todas as idades aprendem com os pais o que e quanto comer. Até os 12 anos de idade, os pais são os modelos mais importantes. Mesmo nessa idade, mesmo quando você sente que os amigos deles são mais importantes e que estamos perdendo o controle, eles ainda observam secretamente o que os pais estão fazendo.

Jane Ogden, professora de psicologia da saúde

Essa influência se estende além das escolhas alimentares, até as atitudes em relação à imagem corporal e ao exercício. Os pais que modelam uma alimentação saudável e um estilo de vida ativo podem incutir hábitos para toda a vida nos seus filhos.

Portanto, as famílias têm uma influência impressionante na nossa atitude em relação à alimentação. Além disso, também foi comprovado que a alimentação social tem um enorme impacto psicológico sobre nós.

Acima de tudo, a comida pode unir as pessoas, aumentar o bem-estar e criar memórias duradouras, sugere o Professor Ogden. Na verdade, ela destaca os benefícios de comer juntos, sugerindo que a comida pode promover a interação social e melhorar o humor: “A comida também pode contribuir para o bem-estar, proporcionando uma fonte de prazer, estrutura e uma desculpa útil para passar tempo com amigos e família”.

Mas o que acontece quando essas atitudes inatas em relação à comida não são exatamente positivas e quando uma grande reunião familiar se depara com algumas atitudes desafiadoras em relação à comida?

Torna-se mais complexo quando entendemos que algumas crenças herdadas sobre comida e imagem corporal não são construtivas e que a comida também pode ser usada para controlar emoções, especialmente durante reuniões familiares estressantes. Por exemplo, a comida pode ajudar a regular emoções como o tédio, a ansiedade ou a solidão, o que pode ser particularmente difícil para alguém que trabalhou arduamente para melhorar a sua relação com a comida.

Outro desafio que as pessoas podem enfrentar em reuniões comemorativas de comida é rotular os alimentos ou os hábitos alimentares como “bons” ou “maus”, uma linguagem muitas vezes transmitida pelas gerações mais velhas. O professor Ogden salienta que tal linguagem pode levar a sentimentos de culpa, vergonha e efeitos rebote quando as pessoas comem em excesso os mesmos alimentos que tentavam evitar.

Em vez disso, ela incentiva uma abordagem equilibrada, reenquadrando suavemente os alimentos como “frequentemente” em vez de “ocasionalmente” e concentrando-se na moderação em vez da restrição.

“Procure falar sobre comida de uma forma que o incentive a comer mais quando estiver com fome e parar quando estiver saciado, e esse tamanho não seja problema”, aconselha o especialista.

Apesar de possíveis comentários ou conselhos de familiares, o professor Ogden alerta que restrições alimentares rigorosas podem sair pela culatra e levar a desejos alimentares, excessos e sentimentos de culpa. Ela incentiva as pessoas a se concentrarem no que devem comer mais, como frutas, vegetais e refeições caseiras, e não no que devem evitar. Esta abordagem positiva pode ajudar a construir uma relação sustentável e equilibrada com os alimentos.

Para aqueles preocupados com os excessos durante as férias, ela recomenda autocompaixão.

“Comer pode envolver sociabilidade e interação, não apenas calorias e nutrição.

“Estabeleça metas elevadas para comer bem, mas seja gentil consigo mesmo quando os padrões caírem e você comer 'bem o suficiente'”, explica ela, apontando que a autocompaixão pode levar a uma abordagem alimentar mais saudável e sustentável, evitando sentimentos de fracasso.

Para quem já tem uma relação complexa com a alimentação e busca formas de quebrar esse ciclo com os próprios filhos, o professor Ogden dá alguns conselhos.

Para aqueles que estão menos preocupados com comentários críticos e mais preocupados se a deliciosa comida caseira pode inviabilizar um plano de alimentação saudável, ela também tem conselhos.

Desde ser um bom modelo até gerir o ambiente doméstico, ela enfatiza a importância de abordagens subtis e positivas.

“Fale positivamente sobre alimentação saudável”, ela aconselha. “Diga: 'Esta torta de pastor é ótima', 'Esta couve-flor é realmente crocante' ou 'Essas cenouras são tão doces'.

O livro também alerta contra o uso da comida como recompensa, pois isso pode ensinar as crianças a associar alimentos não saudáveis ​​ao prazer. Em vez disso, os pais são incentivados a recompensar a alimentação saudável com elogios e sorrisos, incentivando a preferência por alimentos nutritivos.

O livro aconselha os pais a “comer de forma saudável, evitar lanches, não comer demais ou de menos, e incentivar a experimentar novos alimentos e apreciá-los”.

No outro extremo do espectro, ela aconselha aqueles que cuidam de um parente idoso que ainda vive de forma independente, mas come menos: “Somos uma população envelhecida e isso se torna um problema para muitas pessoas quando veem seus pais ficando mais magros e não comendo adequadamente”.

“O Natal pode ser o momento de garantir que eles realmente comam uma refeição caseira.”


Fontes:

Journal reference:

Como comer bem em todas as idades por Jane Ogden. (2025).Routledge.
ISBN: Brochura: 9781032987255 | Capa dura 9781032987262 | e-book 9781003600183
DOI: 10.4324/9781003600183.  https://www.taylorfrancis.com/books/mono/10.4324/9781003600183/eat-well-every-age-jane-ogden